Quanto cobrar por um site?

Dentre todas as dúvidas que atormentam um desenvolvedor web iniciante, talvez a principal – e primeira – seja quanto ao valor a ser cobrado por um serviço, principalmente se o desenvolvedor em questão optar por uma vida de freelancer. A princípio, esta não parece uma questão tão difícil de resolver quanto certos bugs que te desafiam em códigos pela vida de programador afora, mas quando você está em início de carreira e ainda tem aquele excesso de precaução com tudo, isto pode realmente trazer insegurança. Eu passei por isso e sei exatamente como é a sensação, mas não há razão para pânico: neste artigo eu irei mostrar como não é um problema tão difícil de resolver quanto parece.

a

Definindo o seu valor por hora

 

Você com certeza já ouviu aquela frase “tempo é dinheiro”. E é exatamente assim que funciona: a maioria dos desenvolvedores iniciantes não têm dúvidas sobre como cobrar – eles já sabem que é por hora mesmo antes de se formarem – mas sim quanto, o valor propriamente dito. E é daí que vem a grande questão “mas daonde diabos eu vou tirar uma referência pra chegar a um valor justo?” e é exatamente aqui que entra o paranauê da coisa.

O valor do seu projeto é calculado em cima do número de horas que você gasta nele.

O valor do seu projeto é calculado em cima do número de horas que você gasta nele.

Basicamente, existem duas formas de você calcular o seu valor horário.

A primeira é se baseando no piso salarial atual da profissão. Com uma rápida googlada você descobre isso, depois é só dividir o valor por 30 (1 mês) e em seguida pelo número de horas que você vai trabalhar por dia. Por exemplo, se a média salarial da profissão hoje for de R$ 4.000, o valor diário é R$ 133 (4000/30) e se você for trabalhar 6 horas por dia, o valor da sua hora será de 133/6 = R$ 22.

Pessoalmente, eu não recomendo este método, mas como este é um texto informativo, eu estou te mostrando que ele existe, cabe a você decidir se o usa ou não. E porquê eu não o recomendo? Primeiro, porque se você for um freelancer, você não tem a garantia de que irá conseguir trabalhar essas X horas todos os dias. Em alguns dias você terá trabalho, em outros não. Segundo, porque este método coloca todos os trabalhos – os fáceis e os difíceis – no mesmo patamar. Se o Fulano de tal te pede um cartão de visitas, algo simples e que você faz em poucas horas, e o Beltrano da vida te pede um site super complexo e ainda é um daqueles clientes que te enchem o saco o tempo todo, você corre o risco de se matar num trabalho e receber pouco por ele. O que eu vejo pessoas fazendo, para compensar isso, é pegar por exemplo esse valor de R$ 22 e multiplicar por 2, ou mesmo por 3, mas ainda assim o método não me agrada, pois permanece o problema de manter no mesmo nível trabalhos de dificuldades diferentes.

“Mas Leo, então o que é que eu faço?”. Calma, existe a segunda forma.

A segunda forma é usando como referência não o valor do piso salarial, mas sim o valor que você “quer” (na verdade precisa) ganhar no mês. Vamos supor que, para pagar todas as suas contas, comer direitinho, se divertir um pouco e ainda ter uma reserva “just in case”, ou seja, pra você conseguir passar o mês sem aperto, sejam necessários R$ 2.000. E que você está disposto a trabalhar 5 dias por semana (Seg à Sex) 8 horas por dia. Então você pega esses R$ 2000 e divide pelos 20 dias que você irá trabalhar por mês (5 dias por semana X 4 semanas por mês). O valor do seu dia vai ser R$ 100, mas você não vai trabalhar 24 horas, então você divide esses R$ 100 pelas 8 horas que você vai efetivamente trabalhar. O valor da sua hora será R$ 12.50 ou simplesmente R$ 12 ou R$ 13.

Aí você me fala “Mas Leo, é muito pouco!” e novamente eu te respondo: calma. Primeiro, eu fiz o cálculo considerando uma renda baixa (R$ 2000 hoje em dia só vai te bastar caso você seja sozinho). Segundo, no começo é recomendado que você cobre menos mesmo. Eu não estou dizendo para você se “prostituir” e aceitar qualquer coisa, só estou dizendo que, pelo menos até você ter um pouco mais de tempo trabalhando na área e ter conquistado alguma credibilidade em alguns trabalhos feitos, cobrar um pouco a menos pode ser a chave para conseguir trabalho. Depois, à medida que você for crescendo e pegando mais confiança, você pode – e deve – ir reajustando o seu valor. E a melhor parte deste método é que ele é meritocrático. Trabalhos simples vão sair mais em conta pro cliente (e exigir menos de você), enquanto trabalhos complexos ou daqueles clientes “malas” vão te sugar mais tempo, mas também vão ter um valor maior. Ou seja, em ambas as situações, o valor final será justopara os dois lados: para você e para o cliente.

Mas aqui eu faço uma observação: este método exige que você seja uma pessoa disciplinada. Não adianta nada planejar trabalhar 8 horas, mas cumprir só metade disso e depois dizer que o método não funciona, quando na verdade o problema é você.

Dica: existe uma ferramenta online que faz esse cálculo pra você. Você pode ir até ela clicando aqui.
a

Dicas finais do Rei

 

Existem alguns “toques” que eu gosto de dar para aqueles que estão começando:

Como eu já disse antes mas não faz mal relembrar, não se importe de cobrar um pouco menos para conseguir trabalho, pelo menos no começo. Mas enfatizando isso: só no começo. Lembre-se de que custo e qualidade são coisas que NÃO andam juntas, e você vai precisar ter jogo de cintura para mostrar ao seu cliente que ele vai ter que escolher entre uma das duas.

O nosso ramo já é muito saturado, profissional da web é o que não falta no mercado, e como se isso já não bastasse, é um ramo que cresce mais e mais a cada dia e há cada vez mais pessoas entrando. Portanto, se você quiser “ser visto na multidão” e se destacar em relação aos outros, não seja apenas “mais um profissional”, seja O profissional. E sinceramente? Não é tão difícil quanto parece: se você fizer as coisas com amor, dedicação e capricho, você já está um passo à frente de muitos. E nunca pare de estudar, esteja sempre se atualizando, o que é “top” hoje pode ser obsoleto amanhã.

Não tenha medo de dispensar aqueles clientes “malas”. A vantagem de trabalhar por conta própria é ser o próprio chefe e poder se dar ao luxo de escolher qual trabalho vale a pena pegar ou não. Você precisa render por eficiência, então às vezes pode simplesmente não valer a pena ficar suportando aquele cliente que além de te desgastar demais, te toma um tempão e você não rende com ele.

No mais, eu espero com este texto ter conseguido clarear as suas idéias pelo menos um pouco, te dar um norte. Mas muitas das “maldades” vão vir só com a experiência, “dando a cara a tapa” mesmo. Então mãos à obra!

Até a próxima!

 

– Rei Leo

CompartilheShare on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Print this page

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *